Rock Ao Extremo

Olá.
Por favor, cadastre-se e faça parte do fórum.
Seja um membro ativo.
Aqui você irá encontrar muitas coisas sobre música.
Obrigado.
E não se esqueça de clicar em "Registrar-se".
=D

Navegação

Conectar-se

Esqueci minha senha

Últimos assuntos

» é possivel uma banda de HardRock/Glam Metal dar certo hoje em dia no Brasil?
Seg Maio 11, 2015 5:11 pm por deh77

» Chat dos Rockeiros.
Ter Jan 13, 2015 11:05 am por JANAINA

» AC/DC X Guns n roses
Seg Dez 29, 2014 6:35 pm por alex22ks*

» Chat dos Guitarristas.
Qua Nov 05, 2014 11:59 pm por mdsguitar

» Qual é o porque do seu nick aqui no fórum?
Dom Mar 30, 2014 3:15 am por Mr. Nose

» Como você encontrou o fórum?
Qui Nov 28, 2013 8:46 am por sarahgenevive

» OLA!!!!!!!
Sab Nov 16, 2013 4:48 am por Lya

» Procura-se um namorado rockeiro//headbanger
Qua Nov 06, 2013 7:28 am por AnarChaos

» About A Girl
Sab Abr 13, 2013 9:13 pm por Andressarhcp

Votação

Como você encontrou o fórum?
9% 9% [ 15 ]
5% 5% [ 8 ]
18% 18% [ 29 ]
65% 65% [ 102 ]
3% 3% [ 4 ]

Total dos votos : 158

Top dos mais postadores

Santiago@ (1623)
 
Mad Fer It (537)
 
Evan (77)
 
garota_osbourne (76)
 
Morgana (37)
 
MrWhitepower19 (27)
 
Rocker (26)
 
Kathey-ken (23)
 
Brian (11)
 
Dark Leone (7)
 

Novembro 2017

SegTerQuaQuiSexSabDom
  12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930   

Calendário Calendário

Galeria


Palavras chave

Quem está conectado

4 usuários online :: Nenhum usuário registrado, Nenhum Invisível e 4 Visitantes :: 1 Motor de busca

Nenhum


[ Ver toda a lista ]


O recorde de usuários online foi de 21 em Qui Jul 04, 2013 8:29 am

Estatísticas

Os nossos membros postaram um total de 2613 mensagens em 2018 assuntos

Temos 751 usuários registrados

O último usuário registrado atende pelo nome de Tay Oliveira


    U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Compartilhe
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:01 pm

    U2 - 1981 e 1982

    O U2 já era uma grande banda na Irlanda quando lançou seu segundo disco, October. Também gozavam de uma boa reputação na Inglaterra, mas o foco central dos sonhos do quarteto - a América - era ainda um imenso terreno baldio a ser explorado. Nos primeiros shows, o grupo fez o chamado circuito das bandas de terceira divisão. Foram também os anos mais difíceis para o grupo, já que The Edge quase abandonou o U2. E não foi só Edge que quase largou tudo: Adam Clayton cada vez mais se sentia desconfortável com o rótulo de “banda cristã” que o U2 começava a ganhar, mas um gesto inesperado, o fez repensar e continuar. De quebra, fotos de vários singles, inclusive de uma canção que virou compacto, logo depois foi retirada e virou raridade. Isso está parecendo uma revista de fofocas, não é? Pelo menos não são fofocas globais... Vamos aos fatos então...

    Mais uma vez começo com um aviso: Márcio Ribeiro, o mundialmente famoso Creedance traduziu as letras de October, assim como Fernando havia feito com as de Boy. Por isso, se quiser entender as letras do disco com maior cunho religioso do U2, vá até o link na final da página. Recado dado, vamos aos fatos...
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_1.jpg1 - Rock x religião: o aumento das tensões
    O U2 começou o ano de 1981 faturando mais prêmios na eleição da Hot Press. Foram nove, no total. O grupo aproveitou o bom momento e partiu para uma excursão pela Inglaterra, com vários shows esgotados. Como o dinheiro era curto, a solução era improvisar, e para isso todos viajavam em uma van, com Paul McGuinness ao volante, a banda no banco de trás, tendo Joe O'Herlihy ao lado. A pouca grana era destinada para dormirem em lugares razoáveis e gastar com boa comida. As apresentações corriam bem, sempre com lotação completa. Bono crescia como cantor e The Edge, Adam e Larry cada vez mais se entrosavam.
    Se o problema não era no palco, nas viagens é que a tensão ia crescendo. Enquanto Bono, Adam e Edge passavam horas e horas discutindo a Bíblia e seus ensinamentos, Adam ficava isolado dos demais, causando a compaixão de McGuinness, que secretamente se sentia incomodado com a atitude dos três.
    E as tensões iriam aumentar quando Gavin Friday deixou Shalom irritado com as limitações que eram impostas, principalmente ao Virgin Prunes. "Quer dizer que para atraírem mais jovens nós e o U2 prestamos, mas as nossas vidas, roupas e costumes, não servem? Nós somos aceitos ou estamos sendo usados?", bradou, antes de sair definitivamente. O fato mexeu com todos, especialmente Bono, grande amigo de Gavin e que não esboçou reação alguma, de início. Bono sentia a atração pelos dois lados de sua vida e não sabia ainda como conciliar. Edge e Larry tinham posturas diferentes. O baterista sentia um grande conforto após cada reunião enquanto o guitarrista conseguia separar bem os dois lados.

    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_2.jpgEnquanto isso, a banda precisava começar a trabalhar em novas canções para um novo disco. E partiram para uma série de apresentações nos Estados Unidos. Os primeiros shows foram no dia três de março, com duas apresentações no Bayou, em Washigton. Nessa viagem ganharam a companhia de Ellen Darst, mandada pela gravadora Warner com uma função delicada: verificar os modos e hábitos do grupo para saber se a gravadora daria mais dinheiro para a turnê e a gravação do disco. Darst gostou dos meninos e viu que eram extremamente sérios e discipliandos. Não havia drogas, bebidas, mulheres, apenas um comprometimento total com a música.
    A vida na América era totalmente diferente da que viviam na Irlanda. Lá eram uma banda fazendo o que os americanos chamavam de "circuito de bandas de terceira divisão". Mesmo assim, o U2 se saía muito bem, ganhando fãs em suas apresentações cheias de energia e emoção. Ao final da excursão a banda viajou para Nassau, nas Bahamas para encontrar Steve Lillywhite. Os dez dias que lá ficaram tinham apenas um objetivo, discutir as gravações do novo disco, que começariam em seis semanas. E essa foi uma das reuniões mais traumáticas para o grupo por culpa de Bono...


    Última edição por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:07 pm, editado 1 vez(es)
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:01 pm

    2 - "Cadê as letras, Bono?"

    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_3.jpg O cantor havia feito algo impensável e que causou uma crise entre todos: havia conseguindo perder sua pasta onde guardara as letras para o próximo disco. O grupo iria começar a gravar em seis semanas e Bono não tinha nada para mostrar. Steve ficou apreensivo e os demais integrantes tentaram disfarçar a raiva. Bono ficou simplesmente arrasado.
    Quem conseguiu contornar melhor a situação foi Adam Clayton. O baixista chegou perto do cantor e disse que ele se acalmasse e tentasse escrever novas letras: "não é hora para entrar em desespero, você vai sentar e reescrevê-las, mesmo que seja dentro do estúdio.". Adam queria, na verdade, se aproximar de Bono e diminuir a tensão que ele sentia por não ser um cristão. Ele estava irritado com o rótulo de "grupo cristão", pois nunca pensou que o U2 iria se tornar uma banda com tal característica. E Clayton havia lutado tanto para fazer o U2 crescer quanto os demais. O isolamento não fazia bem ao baixista.

    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_4.jpg A banda entrou em estúdio Windmill Lane com Bono tendo quase nenhuma letra ou clara idéia. O cantor lembra da tensão que viveu: "eu me lembro até hoje da maneira desesperada como escrevia tendo o microfone em minhas mãos. Nós estávamos gastando 50 libras por cada hora em estúdio e eu perdendo tempo tentando arrumar as imagens. Steve ficava passeando pelo estúdio pacientemente, ele realmente foi um cavalheiro. E o mais gozado é que apesar disso, a paz lá era grande, ainda que houvesse essa pressão em cima de mim."
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_5.jpgE em junho é editado o novo single, Fire. O single havia sido gravado em Nassau, nos estúdios da Island, em abril, durante a parada de 10 dias do grupo por lá. Foi também editado em uma versão limitada, contendo outras cinco canções: "J. Swallow", "11 O' Clock Tick Tock", "The Ocean", "Cry" e "The Electric Co", todas gravadas no dia 6 de março, em Boston, no Paradise Theatre. Essa edição ficou conhecida como U2 R.O.K. e eu tive essa edição, mas a vendi. Mas para minha sorte conservo até hoje um vinil pirata dessa apresentação em Boston, que ficou famosa com o nome de Two Sides Live e que circulou pelo Brasil. A canção havia sido tocada pela primeira vez em New Haven, Connecticut, no dia 27 de março, quando Bono anunciou que seria o novo single do grupo e que nunca a tinham tocado antes.
    A letra era uma mostra do que viria pela frente, com a fé de Bono se mostrando confusa. O lado B trazia uma canção chamada "J. Swallow", que era mais uma colagem de idéias e sons do que uma canção. Steve ainda caminhava atrás do som do grupo. Uma de suas preocupações era poder dar mais peso ao baixo de Adam Clayton, talvez o melhor amigo do produtor dentro da banda e que já se sentia um peixe fora d'água dentro da nova diretriz que Bono dava ao U2. Para aumentar a estima de Clayton, Lillywhite resolveu ajudá-lo com arranjos mais potentes.

    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_6.jpg O grupo acabou a gravação do novo disco e partiu para alguns shows e um desses ficou famoso na história: uma apresentação no Slane Castle abrindo para o Thin Lizzy, de Phil Lynott. Phil era um ídolo para o grupo, em particular para Clayton e aceitaram ter o U2 abrindo sua apresentação além de rachar o lucro da bilheteria naquela gigantesca praça de show. Foi a primeira apresentação do novo repertório que haviam recém-gravado. A apresentação foi um tremendo sucesso.
    Veja a letra do single...
    Fire
    Calling, calling the sun is burning black
    Calling, calling, it's beating on my back
    With a fire
    With a fire.

    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_7.jpgCalling, calling, the moon is running red
    Calling, calling, it's pulling me instead
    With a fire, fire.
    But there's a fire inside
    And I'm falling over
    There's a fire in me
    When I call out
    You built a fire, fire
    I'm going home.
    Calling, calling, the stars are falling down
    Calling, calling, they knock me to the ground
    With a fire, fire.
    But there's a fire inside
    And I'm falling over
    There's a fire inside
    When I call out
    There's a fire inside
    When I'm falling over
    You built a fire, fire
    I'm going home
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:02 pm

    3 - Outubro
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_8.jpgEm novembro de 1981 é finalmente lançado o disco October. Originalmente intitulado "Scarlet", uma das faixas do disco, ganhou esse título segundo Bono por remeter muito ao clima daqueles anos "frios e duros". O disco ia em uma direção totalmente diferente de Boy. As letras eram muito mais religiosas, e algumas pessoas não conseguiam identificar a mesma banda de um ano antes.

    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_9.jpg "Muitas pessoas que gostavam de Boy ficaram desapontadas com October, mas conheci muitas pessoas que gostaram dele e não gostavam do nosso primeiro LP. Nossos discos nunca foram fáceis na primeira audição, mas sempre achei que esse disco foi muito importante em nossa vida". A frase de The Edge exemplifica bem o que muitos pensaram. As letras mudaram radicalmente e ao invés das angústias juvenis de Bono, apareciam questões ligadas a Deus, fé e o desespero. Muito disso aconteceu porque o cantor teve que reescrever as letras às pressas e acabou falando do medo que sentia naquele momento. Por tudo isso, foi o disco mais complicado de se produzir na carreira do quarteto.
    O grupo estava entre uma breve parada entre duas turnês na América e havia pouco tempo para gravar um novo disco. Bono recorda que quando ouviu o disco ficou fascinado e assustado: "acho October um disco grandioso e quando o ouvi pela primeira vez não acreditei que eu havia feito parte de tudo aquilo tudo. Eu perguntei para o Steve se aquela voz era a minha e ele dizia, rindo, que sim. Até hoje não sei como consegui gravar todas aquelas canções."


    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_10.jpgNeil McCormick, da Hot Press, considerou o trabalho "um disco apaixonante e que mostra o crescimento musical e espiritual do grupo." Dave McCullough, da Sounds, afirmava que o U2 havia chegado para ficar de vez. Musicalmente o disco apontava em novas direções: a voz de Bono estava mais poderosa, mais alta. A guitarra de Edge ainda era o instrumento principal, mas o som do baixo de Adam e da bateria de Larry estavam mais encorpados. O disco abre com um dos maiores clássicos do grupo, "Gloria". A melhor definição para a canção é chamá-la de hino, pois foi dessa forma que Bono a trabalhou. Bono exulta a Deus e oferece tudo que tem a Ele. O cantor havia estudado um livro de cantos gregorianos e as imagens ficaram impregnadas em sua mente.
    "Gloria" acabou sendo o novo single do disco "cristão", pecha que tanto incomodava a banda. "Não somos um grupo cristão, mas apenas jovens que têm fé", afirmou Bono em uma entrevista. "Gloria é tratada como um hino de igreja, mas não foi essa minha intenção. Eu quis falar do poder do amor. Com 'Rejoice' eu quis simplesmente abordar um tema em que as pessoas parecem sofrer um bloqueio mental. Considero a palavra muito poderosa e acho que o disco explora muitas áreas que outros grupos ignoram.". O cantor confessa que levou meses para poder assimilar o que ele próprio havia gravado.
    Uma das canções mais emotivas do disco é "Tomorrow", onde Bono relembra sua mãe nos versos "Você voltará amanhã?/ Você voltará amanhã?/ Posso dormir esta noite?/ Há alguém lá fora/ alguém batendo na porta/ e um carro preto estacionado do outro lado da rua".
    O disco acabou alcançando o número 11 nas paradas britânicas, mas ficou longe dos 100 primeiros na América. Mesmo com resultados tão modestos na paradas, o U2 saiu em uma nova excursão. Era hora de mostrar as novas canções ao vivo e dar novo sentido a elas. Mas antes disso, uma nova crise se instalou no grupo...
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:02 pm

    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_11.jpg"4 - Nós vamos desistir do U2, Paul...”
    Quando os Bono, The Edge e Larry entraram no escritório do empresário Paul McGuinness e pediram para conversar, jamais ele imaginaria o que ouviria. Os três estavam comunicando que não poderiam mais continuar a conciliar o rock com a fé e iriam acabar com o U2. Bono argumentou que ele não poderia mais conciliar sua fé com as excursões, especialmente a nova turnê, que consumiria quase um ano na estrada.
    Paul engoliu seco e teve vontade de partir para cima do vocalista. Ao invés disso, pediu algumas horas para pensar a respeito e perguntou se poderia ligar depois. Os três concordaram e horas depois foram chamados por McGuinness. "Eu entendo perfeitamente a posição de vocês e a respeito profundamente. Mas também temos enormes responsabilidades aqui, meninos. Veja, um monte de gente está comprometida conosco. Frank Barsalona já agendou mais de 20 shows para vocês. Joe O'Herlihy está contando com o trabalho e com o dinheiro porque agora é pai. A gravadora e Chris Blackwell estão apostando em vocês e colocaram muito dinheiro nisso. Há muita gente envolvida. Por isso, se querem terminar com o U2, eu concordo, mas ao menos vamos fazer essa turnê e depois vocês dissolvem a banda. Fazer isso agora só traria problemas e dívidas para todos nós".
    O argumento de Paul era desesperado, mas mesmo assim tentou manter-se neutro. O que mais chamou a atenção é que talvez Adam Clayton nem soubesse que essa reunião estivesse acontecendo. E sentiu um grande alívio quando os três concordaram com seus argumentos e disseram que fariam a turnê. "Mas depois tudo se encerra, Paul", disse Bono. "OK Bono, que assim seja se é o que desejam..." McGuinness sabia que havia ganhado tempo e que os palcos não deixaram o U2 acabar.
    O grupo partiu então para uma série de apresentações. Para McGuinness ficou uma missão indigesta: mostrar para a Warner que October era o disco a ser trabalhado. A gravadora alegava que seria muito difícil de vender, que não era exatamente o que eles tinham em mente. Paul apenas ria, dizia que entendia, mas que era o tinha a oferecer.
    Enquanto isso, o grupo começava a conquistar novos fãs e entraram o ano de 1982 excursionando. E durante um novo intervalo entraram novamente em um estúdio.

    5 - O single misterioso
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_12.jpgEm março é lançado um novo single com duas músicas, "A Celebration" e "Trash, Trampoline and The Party Girl". Esse single merece ter sua história melhor contada. Comecemos pela segunda canção...
    Todos conhecem "Party Girl", que faz parte do disco ao vivo Under a Blood Red Sky. Pois é essa a canção, que teve apenas o nome reduzido. A faixa saiu no cd bônus da coletânea U2 - The Best of 1980 - 1990, com sua gravação original, exatamente igual a que aparece aqui e é impressionante como foi remodelada nos palcos. Em estúdio é uma canção curta, cheia de sons e com uma voz frágil de Bono, bem distante da gravação imortalizada.
    Mas e essa outra música, "A Celebration"? Bem, essa é uma música que nunca apareceu em disco nenhum do grupo, nem mesmo nessa coletânea de singles. A única edição em que saiu, anos mais tarde, foi na Rare Rock Collection - Rock Against AIDS em 1987, uma compilação lançada pela 98KZEW para arrecadar fundos contra a Aids.
    "A Celebration" é uma canção que ficou alguns dias na parada inglesa e curiosamente sumiu do mapa e em seis meses foi excluída do catálogo da banda. Uma canção que raramente tocavam, mas em uma dessas vezes, um amigo meu encontrou na internet um show, com ela encerrando a apresentação. Foi no Hammersmith Palais, de Londres, e não sei se foi em 1982 ou 1983 porque abriram com algumas canções de War, que pelos dizeres de Bono parecia não ter sido lançado. Como não a conhecia e ele ficava berrando "shake!" coloquei esse nome nela. E dias atrás, a encontrei novamente pela internet. A gravação desse compacto foi apenas um mero passatempo e a primeira vez que a tocaram ao vivo foi no dia 25 de fevereiro, no Uptown Theatre, em Kansas.
    Vejam as letras das duas músicas...
    A Celebration
    I gotta go!
    I believe in a celebration
    I believe we can be free.
    I believe you can loose these chains
    I believe you can dance with me, dance with me.
    Shake! Shake!
    Shake! Shake!
    I believe in the Third World War
    I believe in the atomic bomb.
    I believe in the powers-that-be
    But they won't overpower me.
    And you can go there too,
    And you can go, go, go, go!
    Shake! Shake!
    Shake! Shake!
    And we don't have the time
    And everything goes round and round
    And we don't have the time
    To watch the world go tumbling down.
    I believe in the bells of Christchurch
    Ringing for this land.
    I believe in the cells of Mountjoy
    There’s an honest man.
    And you can go there too, etc.
    I believe in the walls of Jericho
    I believe they're coming down.
    I believe in this city's children
    I believe the trumpet's sound.
    And you can go there too, etc
    Trash, Trampoline and The Party Girl
    I know a girl
    A girl called Party, Party Girl
    I know she wants more than a party, Party Girl
    And she won't tell me her name
    I know a boy
    A boy called Trash, Trash Can
    I know he does all that he can, wham bam
    And she won't tell me his name
    When I was three
    I thought the world revolved around me
    I was wrong
    But you can sing, sing along
    And if you dance
    Then dance with me
    I know a girl
    A girl called Party, Party Girl
    I know she wants more than a party, Party Girl
    I know a boy
    A boy called Trampoline
    You know what I mean
    I think you know what he wants
    I think he knows what he wants
    I think he knows what he wants
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:02 pm

    6 - Abrindo para J. Geils Band
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_13.jpgNo começo de 1982, o grupo fez um show em Dublin para 5 mil pessoas, enquanto a segunda parte da tour norte-americana não começava. O U2 já era uma espécie de herói nacional. Quando retornaram para a América, a Premier Talent, de Barsalona fez uma proposta arriscada ao grupo: que tal abrirem um shows para a J Geils Band? Você deve estar perguntando quem é essa banda. Bem, eles tiveram um certo sucesso com uma canção chamada "Centerfold" e eram um dos grupos do momento e queriam aproveitar a chance, já que desde 1967 estavam na estrada. A proposta era simples: eles iriam abrir em arenas para 10 ou 15 mil pessoas. McGuinness tremeu por dois motivos: sabia que o grupo principal trataria o U2 com desprezo e teriam toda uma audiência que não era deles. Mas o problema é que era uma grande chance que estavam recebendo e não podiam simplesmente negar. O impasse estava formado.


    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_14.jpgFoi aí que apareceu toda a astúcia de Joe O'Herlihy. Rodado com anos e anos de estrada com Rory Gallagher sabia como o U2 seria massacrado e não poderia deixar isso acontecer. No dia anterior ao primeiro show, o pequeno irlandês começou a ver todos os aparatos técnicos que teriam à disposição. Nada muito animador. Em sua cabeça havia a preocupação de arranjar um bom som para a guitarra de The Edge e para Bono, o que mais atormentava. A tarefa não seria mole, mas Joe contava com sua fama de sujeito simpático e velho amigo de Rory. Na primeira noite pediu para Mike Stall, um velho amigo seu e responsável pelo som do J. Geils Band se podia emprestar uma pequena câmera de eco para usar na voz de Bono. Mike concordou em fazer esse pequeno favor ao velho chapa. E isso mudou tudo.
    Quando a banda entrou na arena de hóquei em Fort Myers, na Flórida, parecia ser formada por quatro animais famintos. A audiência não conhecia o U2, o local estava lotado com mais de 15 mil pessoas e começaram a tocar, sem falar com o público e caíram matando. O barulho foi tão grande que os integrantes da banda principal vieram ver o que estava acontecendo. E o que estava acontecendo era o U2 roubando a cena. E Joe ria a valer.
    7 - Bono casa com Ali e The Edge ameça deixar o grupo
    A fama de grupo cristão ainda incomodava Bono que tentou explicar a fé do U2 novamente em uma entrevista: "Eu acho que a força espiritual da banda é essencial para o grupo, e imagino que cada um deve encontrar o seu caminho. Eu não estou levantando uma bandeira ou dizendo para que os outros caminhem até Deus. Tanto na igreja católica como na protestante existem mentiras e coisas absurdas e não sou eu que vou defendê-las ou explicá-las. Quando me pergunta em que acredito, digo que falo disso nas letras."
    E cada vez mais o lado messiânico começava a incomodar Adam Clayton, que continuava se sentindo à margem do grupo. A única coisa que aliviava o baixista eram os shows que eram numerosos. Mas mesmo os shows estavam tornando-se complexos cada vez mais. E a razão era simples: falta de estrutura.
    Paul McGuinness continuava comandando os negócios do grupo dentro de sua casa. Não tinha um escritório e, pior, sentia que faltava uma pessoa que pudesse ajudá-lo na preparação das turnês. O único nome novo em sua equipe era de Steve Iredale, que ficava com uma parte mais artística. Paul começou a procurar alguém até que foi sugerido que procurasse uma outra figura famosa: Dennis Sheehan. Dennis havia sido durante 10 anos o responsável pelas turnês da banda mais famosa, rica e polêmica dos anos 70, Led Zeppelin. Dennis só deixou o grupo após a morte do baterista John Bonham, em 1980 e depois trabalhou para diversos artistas como Patti Smith. Ele era uma pessoa que poderia fazer muita diferença na organização.


    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_15.jpgEm abril, após o lançamento do single A Celebration, surgiram rumores que o grupo não iria mais trabalhar com Steve Lillywhite. E outros boatos davam conta que o U2 estava compondo novas músicas com o produtor Sandy Pearlman, responsável pelo segundo disco do The Clash, Give' Em Enough Rope.
    Era fato que o U2 trabalhou com Sandy e que gostaram da maneira calma e prática do produtor, mas o grupo ainda nao havia se decidido. Enquanto isso, o grupo abriu um show para o Police, em julho. A rotina de shows seguia interminável. Mas ela sofreu um recesso no mês de agosto para um acontecimento importante: o casamento de Bono com Alison, no dia 21 de agosto, na igreja Guinness, em Raheny. E para selar a paz interna dentro da banda, Bono convidou Adam para ser seu padrinho, atitude que surpreendeu o baixista. A atitude de Bono mostrou a Adam que ele era importante dentro de todo o contexto do U2 e amarrou ainda mais a amizade interna.

    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_16.jpgMas se Adam e Bono finalmente tinham conseguido resolver duas diferenças, Larry e The Edge estavam confusos. O baterista havia decidido largar o Shalom, infeliz com os rumos que o grupo havia tomado. E coube a The Edge instaurar outra crise. Logo após a chegada de Bono da Jamaica, onde passara sua lua-de-mel, o guitarrista avisou que estava fora do grupo, de forma definitiva. Bono entrou em choque e durante uma semana ficou enlouquecido com a decisão e só ficou mais calmo quando o guitarrista disse que continuaria com a banda.

    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u204_17.jpgCom o quarteto calmo, resolveram convidar novamente Steve Lillywhite para a produção de um novo disco. Lillywhite podia não ser o melhor produtor do mundo, mas conhecia bem como trabalhar com o grupo estava disposto a acertar nesse terceiro disco. "O primeiro ficou marcado pela inexperiência de todos; o segundo foi prejudicado com o sumiço das letras de Bono. Então sentamos e perguntei se não podíamos ter outra chance. E o que ajudou muito foi o fato de the Edge estava mais inspirado do que nunca antes e compondo uma nova melodia.”
    Essa nova melodia seria, em poucos meses, a canção-símbolo da banda durante anos e anos e o disco seguinte ganharia o apelido de "The Edge Orchestra" dos críticos. A letra viria depois e falaria de um certo domingo. O caminho rumo ao estrelato estava cada vez mais perto...

    Para ler as letras traduzidas de October, clique aqui. (http://whiplash.net/traducoeslist.mv?registro=216)
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:03 pm

    U2 - 1982 e 1983

    Quem estiver acompanhando a série do U2 estranhará que estou repetindo o ano de 1982. Mas é proposital e explico o motivo: foi ainda em 1982 que aconteceram as gravações de War, um disco que mudou radicalmente a sorte da banda, em termos de som, idéias e prestígio. E como o período entre 1982 e 1984 é extremamente rico, achei melhor dividi-lo para contar a história de uma maneira mais correta e detalhada. É nesse período que o grupo também começa a abordar temas políticos e ganhar dimensões surpreendentes até para os próprios integrantes. Culpa de “Sunday Bloody Sunday”, canção que virou hino em shows, sendo que nem era música de trabalho. War também trouxe alguns clássicos eternos do grupo como "New Year’s Day", "40", "Two Hearts Beart As One" e "Surrender" (minha velha favorita). Vamos aos melhores momentos de 1982 e 1983 então...


    1– “Essa não é uma canção de rebeldia...
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_live3.jpgAs gravações de War foram tremendamente agitadas e importantes para o grupo por vários motivos. Para começar, a banda estava, pela primeira vez, em paz interna. As diferenças entre os membros “católicos” (Bono, Larry e The Edge) e Adam Clayton cessaram por completo. O convite para ser padrinho de casamento de Bono, havia diminuído as rusgas e uma separação que sempre pairava sobre a vida de Clayton.
    Se as tensões internas eram menores, as ambições eram muito maiores. O grupo resolveu que o próximo disco não poderia ter os erros dos dois primeiros. Se em Boy, a inexperiência natural (um dos grandes trunfos do U2) era perdoável, October foi prejudicado pelas letras perdidas por Bono e por não ter soado exatamente como o grupo desejava, embora o resultado tenha agradado a banda. Mas para o produtor Steve Lillywhite, eles não haviam mostrado todo seu potencial. E muito menos ele havia brilhado ainda como produtor. Para Lillywhite estava claro que era sua derradeira chance com o U2. A sua vantagem é que ele já conhecia bem o espírito gregário do grupo e desfrutava de excelente amizade com os quatro músicos.
    E do que falariam as letras, qual seria o caminho? A religião ainda seria o carro-chefe? Quais os temas a serem abordados? As letras, embora fossem responsabilidade de Bono, sempre passavam uma preocupação ou falavam de dúvidas que afligiam os quatro. Em Boy, a morte fazia parte não só da vida do vocalista, como também de Larry, através de suas mães; as dúvidas e medos de Bono eram também os medos de Adam e as angústias e a reflexão poderiam ter sido escritas por The Edge. O mesmo acontecia em October. Portanto, não haveria como se construir uma letra em que todos os membros não estivessem direta ou indiretamente envolvidos.
    E estava claro que as brigas entre católicos e protestantes na Irlanda tinham um outro campo tão fértil quanto a religião: a política. Mais importante do que qualquer partido político no país era o temido IRA, o Exército Republicano Irlandês, que lutava contra o domínio britânico, em uma Irlanda divida entre o Norte (de domínio inglês) e o Sul (também conhecido como Eire) e que não sofria intervenção britânica. Mais do que uma questão eterna, os atentados e mortes sempre foram uma realidade de qualquer irlandês desde seu nascimento.
    Por isso quando o grupo começou a compor os primeiros esboços de “Sunday Bloody Sunday” era natural que as mortes causadas pela religião e pela incompreensão de um país fosse um tema a ser abordado.
    Um dos passos do grupo em direção à política aconteceu em Londres. Bono encontrou Garret Fitzgerald, então candidato ao cargo de primeiro ministro pelo Fini Gael (partido de centro-direita e que tinha o apoio dos trabalhadores), em um vôo para Dublin e se apresentou ao candidato. Garret não conhecia Bono, mas já sabia da fama que o U2 possuía em seu país. Os dois começaram uma amizade frutífera e foram fotografados juntos no desembarque. As fotos saíram nas primeiras páginas de vários jornais. Para sedimentar ainda mais essa amizade, Garret compareceu aos estúdios Widmill Lane com sua esposa Joan, durante o período em que o grupo gravava o disco. Mais fotos foram tiradas do encontro, aumentando a popularidade do candidato entre os jovens irlandeses. O U2 acabou sendo um excelente aliado e um belo marketing para a vitória de Garret, meses depois.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_garret.jpgMas as letras causaram alguns problemas para o grupo. Especula-se até hoje que a letra de “Sunday Bloody Sunday” sofreu mudanças por pressões do IRA e que o grupo teria até sido ameaçado pelos militantes. A letra começava com o verso “Não me fale dos direitos do IRA”, mas teria sido alterada para “Não posso acreditar nas notícias de hoje”. Bono ressalta que isso nunca foi verdade e explica que a canção nunca foi contra o Exército Republicano Irlandês. “Ela fala de um dia que os irlandeses nunca deve sem esquecer (o massacre em 1972, na cidade de Derry, quando trezes pessoas foram mortas), mas que não deveria mais acontecer. É exatamente isso que quero expressar quando digo ‘até quando deveremos cantar essa canção’. Quando nós a tocamos, sempre faço questão de ressaltar que não é uma canção de rebeldia com o intuito de causar polêmica. Eu gostaria de não cantar mais canções como ela, mas não posso fechar meus olhos perante os problemas.”
    Embora a canção nunca tenha sido planejada como single e nem conste na relação no site oficial do grupo, a verdade é que ela acabou sendo lançada nesse formato, e até teve uma edição no Brasil, em 1985 ou 1986.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_83sunday.jpgUma das maneiras encontradas pelo grupo de mostrar sua reprovação aos conflitos era hastear uma bandeira branca no palco. “Eu nunca fui uma pessoa ‘territorial’ no sentido que ‘ah, como sou irlandês vou levar a bandeira de minha pátria ao palco’. Nós somos apenas um grupo de irlandeses e pronto! A escolha dela (bandeira branca) é exatamente essa, a de universalizar o nosso ideal, além de pedir uma trégua aos conflitos pelo mundo.”
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_83sunday2.jpgPara trabalhar a canção com uma letra tão pesada, o grupo resolveu “suavizar” a melodia. As gravações tiveram a participação do violinista Steve Winckham, então no grupo In Tua Nua e que faria parte dos Waterboys, meses depois. Steve forneceu um clima meio folk e mais ‘irlandês’ ao tema. Essa versão causou uma certa estranheza aos fãs que conheceram a canção em sua versão mais crua e cheia de energia, ao vivo (caso dos fãs brasileiros).

    Em War, Bono parece sussurrar a letra, um contraste marcante perto do volume e dinamismo das apresentações.
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:03 pm

    2 – Polônia, Solidariedade e Ano Novo
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_live832.jpgO primeiro compacto, no entanto, foi New Year’s Day.

    A grande inspiração para a canção vinha de muito longe, da Polônia. Eram os anos da cortina de ferro, do domínio soviético e nesse pequeno país, que tinha virado manchete quando Karol Wojtila virou o primeiro Papa não italiano em quase 500 anos de igreja católica (João Paulo II), virava novamente notícia graças a dois personagens: o operário Lech Walesa e seu partido, Solidariedade, que acabaram ganhando o Prêmio Nobel da Paz, no final de 1983. Esse pequeno partido e seu líder tinham a ousadia de desafiar o severo poder da extinta União Soviética e formavam uma imagem muito forte para o grupo. O U2 a tocou pela primeira em um show em Belfast, no dia 20 de dezembro. E a canção foi a primeira amostra do novo som do grupo.
    Enquanto The Edge se reveza entre o piano e a guitarra, Adam e Larry constroem uma sólida parede. A bateria de Larry, aliás, sofreria profundas mudanças, soando mais alta, encorpada e, às vezes, até meio ríspida. Este foi também o primeiro compacto do grupo a chegar ao Top 10 no Reino Unido.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_new.jpgNa capa do compacto, um velho conhecido do grupo e dos fãs: Peter “Radar” Rowen. Aliás, ele também estaria presente na capa do próximo single do disco Two Hearts Beat As One e também na capa de War.

    Apesar de ser um clássico, vale a pena deixar a letra para quem ainda não a conhece...
    New Year’s Day
    All is quiet on New Year's Day.
    A world in white gets underway.
    I want to be with you, be with you night and day.
    Nothing changes on New Year's Day.
    On New Year's Day.
    I... will be with you again.
    I... will be with you again.
    Under a blood-red sky
    A crowd has gathered in black and white
    Arms entwined, the chosen few
    The newspaper says, says
    Say it's true, it's true...
    And we can break through
    Though torn in two
    We can be one.
    I... I will begin again
    I... I will begin again.
    Oh, oh. Oh, oh. Oh, oh.
    Oh, maybe the time is right.
    Oh, maybe tonight.
    I will be with you again.
    I will be with you again.
    And so we are told this is the golden age
    And gold is the reason for the wars we wage
    Though I want to be with you
    Be with you night and day
    Nothing changes
    On New Year's Day
    On New Year's Day
    On New Year's Day

    “New Year’s Day” era um perfeito cartão de visitas da banda que lutava contra o que denominaram “música de papel de parede”, canções que tinham a função de apenas enfeitar o ambiente, com climas fúteis e estéreis. Aliás, uma das frases que Bono utilizava ao apresentar a música em shows era mais ou menos “eu gostaria de fazer uma previsão. Essa não é um canção papel de parede e acredito que nada mais está por fora do que estar na moda. Essa é ‘New Year’s Day’”.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_834.jpgBono voltou a falar sobre a metáfora em uma entrevista: “Acredito que War é o disco mais certo para esse período. É um tapa na cara sobre tudo que é descartável, tolo e popular. Hoje tudo é extremamente orientado para entreter e acredito mais do que nunca que John Lennon estava certo quando ele chamou esse tipo de música, de ‘papel de parede’, por ser muito bonitinha, muito desenhada e apropriada para ouvir enquanto alguém toma café da manhã. Esse disco me mudou e abriu outras possibilidades, de comunicar com minha geração, de tentarmos não repetir alguns erros, porque cada vez mais concordo com o que Bob Geldof disse quando se refere à história como apenas ‘um erro sobre outro.’”
    Lillywhite gosta de contar uma curiosidade sobre as gravações dela: “nós tínhamos que deixar o estúdio às sete da manhã para outra banda entrar. E quando o outro grupo chegou, Bono ainda estava colocando a voz em “40”. Com o outro grupo esperando do lado de fora, Bono começou a cantar a letra de “New Year’s Day” e nós íamos mixando. Saímos dos estúdios exatamente no horário e ela acabou mixada em incríveis 10 minutos!”
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:04 pm

    3 – Dois corações
    Ir contra as tendências, contra a moda e não saber mais o que é certo ou errado. Todas essas angústias foram levadas por Bono para a canção que serviu como segundo compacto do disco “Two Hearts Beat As One”. “Não sei de que lado estou/ Não sei (distinguir) minha direita da esquerda, ou o certo e o errado/ Dizem que sou tolo, você diz que não sou para você/ mas se eu for tolo para você, ah, aí será algo”.
    Com esses versos (e um lindo clip rodado em Paris, em que mostra a banda tocando em uma praça, enquanto um Peter Rowen segue um equilibrista que anda pelas ruas da cidade e até em uma corda bamba), ela tornou-se o segundo sucesso do disco.
    A letra foi escrita por Bono durante sua lua-de-mel e curiosamente, foi pouco tocada em shows, apesar do ritmo contagiante.
    Ali conta que quando ela e Bono partiram em lua-de-mel para a Jamaica, o cantor ficava repetindo “essa é minha última chance, essa é minha última chance”. A frase acabou inspirando e entrando em “Two Hearts Beat As One”. “Houve algumas noites em que quase o expulsei do quarto, por ficar compondo enquanto ele deveria dar mais atenção para mim. Mas como estávamos usando a casa de Chris Blackwell (presidente da Island Records), entendi um pouco a angústia dele. Mas em algumas noites...”
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_hearts.jpgTwo Hearts Beat As One
    I don't know, I don't know which side I'm on.
    I don't know my right from left or my right from wrong.
    Say I'm a fool, you say I'm not for you
    But if I'm a fool for you oh, that's something.
    Two hearts beat as one.
    Two hearts beat as one.
    Two hearts.
    I can't stop to dance
    Honey, this is my last chance
    I said, can't stop to dance
    Maybe this is my last chance.
    Two hearts beat as one.
    Two hearts beat as one.
    Two hearts.
    Beat on black, beat on white
    Beat on anything, don't get it right.
    Beat on you, beat on me, beat on love.
    I don't know
    How to say what's got to be said
    I don't know if it's black or white
    There's others see it red
    I don't get the answers right
    I'll leave that to you
    Is this love out of fashion
    Or is it the time of year?
    Are these words distraction
    To the words you wanna hear?
    Two hearts beat as one.
    Two hearts beat as one.
    Two hearts.
    I try to spit it out
    Try to explain.
    The way I wanna feel
    Oh, yeah, two hearts.
    Well I can't stop to dance.
    Maybe this is my last chance.
    And I said, I can't stop to dance.
    Maybe this is my last chance.
    I said don't stop to dance
    Maybe this is my last chance.
    I said I can't stop to dance.
    Maybe this is our last chance.
    I said don't stop to dance.
    Maybe this is our last chance.
    Oh, oh!
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_war.jpg Mundialmente aclamado, War foi direto para o primeiro lugar na parada de LPs na Inglaterra e freqüentou o Top 20 na América, atingindo o 12º posto. O disco ainda trazia algumas surpresas. A primeira delas era a presença do trio de garotas do Kid Creole and the Coconuts em duas canções, “Surrender” e “Red Light”, que também teve a participação do trompetista Kenny Fradley. Na capa uma foto do mesmo “Radar”, mas desta vez com um olhar enfezado, sobrancelhas franzidas e um corte em seu lábio.
    Outras surpresas foram alguns produtores que passaram pelo disco. A canção “The Refugee”, foi produzida por Bill Whelan, mas mixada por Lillywhite.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_coconuts.jpg“The Refugee”, com seu ritmo tribal, falava dos refugiados que tentavam escapar em busca de uma vida melhor e também fugir das torturas. Canções como “Seconds” tentava exorcizar o fantasma de uma Terceira Guerra Mundial e “Surrender” abordava as angústias das pessoas face à vida moderna. A rendição se dava em um nível espiritual, perguntando se você deveria se render perante a Deus e ao mundo moderno.
    O disco fechava com “40”, inspirada no Salmo de mesmo número, da Bíblia. Novamente aparecia o verso “por quanto tempo cantarei essa canção”, usado em Sunday Bloody Sunday. E “40” acabaria sendo uma canção especial para o grupo, que durante muitos anos a usaria como canção de encerramento dos shows, com Edge e Adam trocando de instrumentos em vários shows e com um inconfundível solo de bateria de alguns segundos de Larry Mullen.
    Como parte do folclore, Bono dizia que “40” levou esse nome por um motivo estúpido e que gostava de citar durante os shows. Segundo o vocalista eles a haviam escrito fora do estúdio durante 10 minutos. Gastaram mais 10 gravado-a, 10 minutos mixando e 10 minutos ouvindo o resultado. O tempo total para fazê-la foi de 40 minutos, dando a origem do título.
    Obviamente, o vocalista estava brincando com o público.
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:04 pm

    4 - A orquestra de The Edge
    Se o U2 esperava um grande sucesso, ele veio plenamente com War. O novo trabalho rendeu rasgados elogios de todas as partes. Um Bill Graham empolgado chegou a dizer que a banda não tinha apenas um coração, mas quatro e que The Edge havia feito do disco um projeto tão peculiar seu que não era apenas um novo disco do U2. “Esse é um disco que captura toda a essência e a habilidade de The Edge. Eu não tenho dúvida em chamar War de a orquestra de The Edge.”
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_edge.jpgThe Edge sempre refutou o elogio, mas disse que finalmente descobrira algumas utilidades nas lições de piano que teve quando criança, em parte por exigência de sua mãe.
    “Eu sempre fui um pianista horrível, mas parece que soube encontrar algumas melodias compatíveis com a minha habilidade. Até minha mãe me elogiou, um fato raro. Mas acho que meu talento como guitarrista supera, de longe, o meu como tecladista. Para tristeza de minha mãe...”


    5 – Conquistando o mundo mais uma vez
    Quando foi lançado em fevereiro de 1983, o grupo já estava na estrada. Com as boas vendagens e críticas aos seus pés, a banda resolveu colocar o novo repertório em teste. Os shows eram um sucesso, em parte pela postura totalmente diferente das bandas da época. Enquanto vários grupos investiam pesado em vídeos, imagens, o U2 saía pelo mundo, com o visual mais despojado possível, sem sintetizadores e dispostos a darem o maior show de rock que os fãs poderiam ter. Mas o dinheiro demorou muito para vir, em parte porque os lucros com as vendagens eram usados para pagar o que já haviam recebido adiantado para gravarem e promoverem os discos anteriores. Se o grupo queria dinheiro, precisaria trabalhar duro, porque os shows também eram financiados pela Island e pela agência Premier Talent, de Frank Barsalona.
    Paul McGuinness percebeu que esta era a hora exata para o grupo se consolidar. A infra-estrutura começava a aumentar. Além de Joe O’Herlily e Dennis Sheehan, havia agora Steve Iredale, responsável por toda parte técnica de palco. E mais gente ainda seria contratada para dar todo o suporte para que o U2 crescesse.
    Com Dennis sendo o chefe da turnê, Paul começou a pensar no próximo passo do grupo e em um novo disco. Paul acalentava um antigo sonho que era capturar o U2 ao vivo, em um vídeo, algo que mostrasse todo o potencial da banda, ao vivo. A outra preocupação era tentar renegociar o antigo contrato com a Island. Ele achava, e com razão, que as 50 mil libras de royalties que recebiam adiantados para produzirem um novo disco, era um orçamento bastante limitado. O problema é que ainda não sabia como poderia negociar um aumento.
    Alguns shows marcaram o grupo, como o realizado em Dundee, no dia 26 de fevereiro, no Caird Hall para mais de 2500 pessoas. O concerto marca o fim de “Fire” no repertório do grupo. Os teatros de médio porte na América conseguiam lotação completa, rapidamente. O U2 começava a acontecer de verdade. Agora eles eram uma banda de primeiro porte e faziam parte da primeira divisão do rock.
    6 - Bono tenta agredir Larry no palco
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_larry.jpgSe o grupo promovia um dos melhores shows do planeta e a amizade entre os membros era sólida, alguns deslizes aconteciam. E o maior deles foi em New Haven. Apesar dos inúmeros shows e casa esgotada, não havia ainda um dinheiro consistente para os membros. Isso causou uma grande tensão entre todos, porque o medo era não ter outra chance de conseguir o sucesso. E, de todos, o que mais expunha sua frustração era Bono, dia após dia. Foi dessa maneira que entraram no palco e começaram a tocar. Quase no final da apresentação, Larry fez uma pausa em uma canção. E Bono percebeu. E ficou furioso. O cantor, esquecendo que estava em uma apresentação, encarou Larry com ódio. Larry, rangeu os dentes, calmamente desviou o olhar do cantor e saiu correndo do palco. Bono começou então a chutar o kit de bateria. Enquanto todo o público achava que a cena fazia parte do espetáculo, Bono partiu para cima do baterista, mas foi contido por um The Edge irritado com o espetáculo bisonho promovido. The Edge agarrou o vocalista pelos cabelos e o conduziu para fora do palco. Como punição, o grupo e Dennis resolveram que seria um bom castigo para Bono passar a noite na rua, fora do hotel em que estavam hospedados até que se acalmasse. No dia seguinte, ele voltou na hora do café e pediu desculpas. Todos riram e a paz voltou ao grupo.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_adam.jpg“Bono sempre odiou essa coisa de ouvir o U2 ser chamado de ‘a banda de Bono’. Ele nunca aceitou esse rótulo. Ele sempre fala que a banda é formada por quatro pessoas. Mas ninguém se importou com essa definição porque sabemos que dizem isso pela forma apaixonada com que ele se doa nos shows. Nós fazemos nossa parte, mas é ele o coração que fica exposto, que encara o público, que conversa, que canta e que fala. No final, acho que quem se incomoda com o rótulo é ele mesmo. Por isso, alguns momentos de fúria são compreensíveis, o que não significa que não devam ser criticados quando ele exagerar.” A definição de Adam Clayton sobre a pressão que cai nos ombros do vocalista até hoje é perfeita.
    Adam nunca se preocupou em ser a estrela do grupo, até preferia poder desfrutar de uma liberdade que Bono e The Edge não tinham. Mas ele sempre foi uma pessoa ponderada e, embora, não concordasse com muitas coisas, entendia as razões. Por esse motivo, era sempre o escolhido para conversar com a parte técnica após as apresentações, quando analisavam os acertos e o que precisava ser melhorado. Essa conversa, originalmente, ficava sempre a cargo do vocalista, mas pelo seu jeito duro de falar e pela forma veemente como criticava, acabou causando várias rusgas. Adam era igualmente perfeccionista, mas muito mais calmo e um ouvinte mais atento. No final, o arranjo se mostrou ótimo para Bono, com uma função a menos e um verdadeiro alívio para Joe e Steve Iredale.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_83live.jpgA rotina de shows era bastante pesada. Logo após o almoço, o grupo checava o som antes das apresentações. Joe começava então a arrumar os equipamentos, e testar a acústica de cada teatro. Bono subia ao palco e ficava “medindo” o local, olhando para todos os locais. Sua preocupação era saber se todos poderiam vê-lo e como chegar aos pontos mais remotos para dar um pouco de atenção aos espectadores menos privilegiados. Ele então pedia para que mudassem um monitor ou um amplificador de lugar, para que todos pudessem ouvir melhor. Nessa tarefa, tinha a companhia de Larry. Enquanto isso Edge e Adam ficavam afinando seus instrumentos.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_bandeira.jpgMas não era só. Bono havia pensado em usar uma bandeira branca durante “Sunday Bloody Sunday”. A bandeira era pesada e necessitava de um suporte no meio do palco. Durante “The Electric Co.”, tinha a mania de “passear” por todos os cantos e cantando ao mesmo tempo, o que obrigava a ter um microfone com um fio longo e sempre alguém tentando acompanhá-lo. E o pior é que ninguém sabia o que Bono faria, porque, nem o cantor sabia. Essa expectativa causava um estresse em todos. E discutir isso com o cantor era algo que deveria se evitar, por causa de seu gênio.
    O que mais causava medo era a histeria que o grupo causava entre os fãs. E um show causa arrepios até hoje quando é citado para Dennis Sheehan: a segunda noite do festival de San Bernadino. Em um festival que durou três noites, o grupo ficou responsável por encerrar o segundo dia. A primeira noite teria como atração final o Clash e a última, David Bowie. Um total de 250 mil pessoas era esperado para as três noites e Dennis tremia de medo só em pensar na confusão que Bono poderia causar com sua mania de agarrar pessoas da platéia, cantar junto e sair correndo. Ao verificar as condições, tremeu. Havia vários locais em que o vocalista poderia exercer seu “esporte” favorito, que era subir e escalar qualquer espaço possível do palco no meio do show. A organização havia deixado bem claro que esse procedimento estava proibido e que se alguém o fizesse e se ferisse, não seriam responsáveis. Dennis concordou e avisou Bono, que também concordou. Mas...
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_bono83.jpgBono não deu bola e começou a subir e subir. No final, resolveu descer por uma lona branca na tentativa de cruzar uma ponta do palco até a outra. Só que lona começou a rasgar com o peso do cantor, que caiu no meio do palco. Dennis tremeu quando não viu o cantor, e tremia só na possibilidade de um ferimento grave ou que pudesse ter ferido algum espectador. Felizmente, Bono foi conduzido até o palco. Mas quando o show acabou, um Dennis irado o abordou nos camarins e deu um ultimato. Ou ele começava a respeitar as diretrizes que ele, Dennis, havia estabelecido para o grupo ou falaria com Paul e pediria demissão. Já era muito trabalho coordenar uma apresentação e novos riscos eram desnecessários. Bono calou-se e obedeceu.
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:05 pm

    7 – Red Rocks
    Quatro dias depois após a apresentação em New Haven, o grupo chegou em um teatro fora de Denver e com um belo visual: Red Rocks. O teatro fora construído dentro de uma formação rochosa. O Red Rocks era utilizado para vários concertos no verão americano. Paul McGuinness já havia pensando há muito tempo em fazer o tal vídeo ao vivo do U2 em tal lugar. O problema é que o local possuía muitas limitações técnicas e seria muito dispendioso em filmar. Para piorar, o grupo tinha menos de 30 mil libras disponíveis. A solução encontrada foi oferecer a Island e aos promotores do local, Feyline Presents, 24% dos lucros, em troca de 50 mil libras. Acordo selado, convidou Steve Lillywhite para produzir um disco ao vivo que teria o título de Under a Blood Red Sky. O vídeo seria dirigido por Gavin Taylor.
    Paul McGuinness havia sido até agora um empresário prudente e que controlava ao máximo os gastos. Mas ele achava que era hora do grupo tentar dar uma virada na sorte e arriscar um pouco. O investimento para a produção era pesado, quase 250 mil libras, dinheiro que o U2 não tinha. Se o projeto desse errado, a situação ficaria ainda mais caótica. Para começar, seria necessário um grande investimento em cartazes e anúncios para a apresentação. Boa parte do dinheiro seria gasto em tentar solucionar problemas técnicos para a filmagem. Se todos esses problemas já atormentavam o empresário, ele ainda ganhou mais um, inesperado e que daria ainda mais dor de cabeça: a chuva.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_paul.jpgDurante três dias seguidos, não parou de chover um minuto. Junto com chuva, começou a aparecer um vento gelado e neblina, sem falar do furacão que resolveu devastar Denver no dia anterior. Não fossem suficientes os problemas, agora toda a produção enfrentava a lama, a chuva e a neve na pior tempestade que Denver sofria em quase 100 anos.
    Joe O’Herlily e Steve Lillywhite estavam desesperados. A cada teste do equipamento que seria utilizado, algo pifava. Para piorar, a umidade e o frio provocavam curtos em alguns deles e havia até risco de vida. Na véspera do concerto Paul organizou uma reunião com Lillywhite, Iredale, Joe, Dennis e o promotor Barry Fey. Queria saber como andava a situação. Ao saber que as condições eram críticas resolveu cancelar. “Vamos filmar o vídeo em algum teatro”, disse. Mas Dennis não aceitou a proposta. O investimento havia sido pesado e mesmo com todas as condições, ele garantia que daria certo. Afirmou que junto com Iredale e Joe, checaria todas as condições técnicas antes e durante a apresentação. O risco era grande, mas o prejuízo seria imenso se não fosse realizado. O empresário resolveu então correr o risco, mas não quis comparecer ao show no dia marcado, preferindo ficar no hotel. E para tentar diminuir o prejuízo para os fãs, colocou anúncios nas rádios da cidade, avisando que o U2 faria um concerto grátis na universidade de Colorado para quem não pudesse ir à apresentação em Red Rocks.
    8 – A apresentação
    Enquanto Paul ficava no hotel, o grupo se encaminhou até o local. Mesmo com todas as condições climáticas ruins, Bono, Adam, Edge e Larry conversavam com a produção para saberem todos os detalhes. Oito mil pessoas começavam a lotar o teatro. A chuva não cessava e tão pouco o frio. Mas o espetáculo ia começar. E o grupo entrou no palco vestidos apenas com calças e camisetas. O set list estava mais do que ensaiado. O grupo abriria com “Surrender” e fecharia com “40”.
    O espetáculo, para surpresa geral, ocorreu da maneira mais normal possível. Nem um problema sério, apenas a banda mostrando todo seu potencial em cima de um palco. Momentos mágicos como quando Bono puxa uma garota para dançar com ele em “11 O’ Clock Tick Tock”. O grupo se mostrava perfeitamente entrosado e tocando com a habitual competência. O saldo havia sido altamente positivo e a cumplicidade da banda com seu público estava mais do que provada. Além disso, o grupo havia mostrado que tinha munição suficiente para fazer uma apresentação excelente sob quaisquer circunstâncias. Um ponto positivo que McGuinness exploraria com sabedoria ao longo dos anos.
    O set programado para entrar no vídeo tinha as seguintes músicas: “Surrender/ Seconds/ Sunday Bloody Sunday/ October/ New Year's Day/ I Threw A Brick Through A Window / A Day Without Me/ Gloria/ Party Girl/ 11 O'Clock Tick Tock/ I Will Follow/ 40”.
    Veja o set list completo da apresentação: “Out Of Control/ Twilight/ An Cat Dubh/ Into The Heart/ Surrender/ Two Hearts Beat As One/ Seconds/ Sunday Bloody Sunday/ The Cry and The Electric Co/ I Fall Down/ October/ New Year's Day/ I Threw A Brick Through A Window/ A Day Without Me/ Gloria/ Party Girl/ 11 O'clock Tick Tock/ I Will Follow/ 40.”
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_annie.jpgApós a parte americana da turnê, o grupo era a atração principal do concerto em Dublin, “A Day At the Races”, em Dublin, no dia 14 de agosto. Mais de 25 mil pessoas compareceram ao evento, cujo título havia sido tirado de um disco do Queen. Nesse dia, o U2 era a atração principal e teriam como companheiros de palco, o Simple Minds, o Big Country e Eurythimcs.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_aislinn.jpgAlém de comemorar a volta triunfal para casa, o grupo havia ganhado mais um motivo para celebrar. No dia 12 de julho, The Edge havia se casado com a namorada, Aislinn. O concerto teve uma aura emotiva, quando o cantor dedicou a apresentação para Thomas Reilly, que uma semana antes havia morrido em Belfast, vítima dos conflitos entre católicos e protestantes. O irmão de Thomas, Jim, era baterista do grupo irlandês Stiff Little Fingers. Em sua memória tocaram “I Fall Down”.
    O U2 também começava a fazer contatos com várias bandas que lutavam pela mesma causa: primeiro com os também irlandeses do Alarm e, principalmente com o Simple Minds, de Jim Kerr, um membro ativíssimo da Anistia Internacional, organização que o grupo apoiaria anos depois.
    9 – Primeiro projeto paralelo de The Edge e disco ao vivo
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_83bono.jpgEm meio às apresentações, o grupo fez uma reunião para conferirem o material gravado em Red Rocks. A frustração tomou conta de todos. Embora o show tivesse sido um grande sucesso, o som não era exatamente um primor. Antevendo nisso, o grupo havia realizado duas apresentações com o mesmo set list de Red Rocks, por precaução: em Boston e outra no programa Rockpalast, gravado no dia 20 de agosto, no anfiteatro Loreley, em St. Goarshausen, na então Alemanha Ocidental.
    E como resultado, apenas “Gloria” e “Party Girl” gravadas em Red Rocks, entrariam no novo disco do grupo, o mini LP (ou EP, se preferirem) Under a Blood Red Sky.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_under.jpgO formato escolhido foi o EP por uma razão simples: a idéia era comercializá-lo como um disco com preço bem menor do que um LP. Seriam oito canções e a produção ficou por conta de Jimmy Iovine, e não de Lillywhite, que havia cuidado do som do show de Red Rocks.
    O disco chegou ao segundo lugar da parada inglesa. A versão de “The Electric Co.” gravada no Rockpalast precisou ser editada, já que a banda sofreu uma ameaça de processo pelo uso indevido de trechos de “Send In the Clows”, de Stephen Sondheim. O disco foi eleito como o álbum do ano pelos leitores da revista Hot Press.
    http://www.beatrix.pro.br/mofo/imagens/u2_snake.jpgMas, um mês antes do lançamento de Under a Blood Red Sky, os fãs são pegos de surpresa: em parceria com Jah Wobble (ex-baixista do PiL) e com Holger Czukay (do grupo alemão Can), The Edge participa de um outro Mini LP, Snake Charmer. Totalmente longe da proposta roqueira do U2, o guitarrista dava vazão ao seu lado mais experimental trabalhando com dois músicos que o haviam influenciado enormemente. The Edge sempre foi fã ardoroso da banda alemã e também da banda em que John Lydon (ex-Johnny Rotten) havia formado depois que saiu dos Sex Pistols.
    Com o sucesso conseguindo em 1983, com os dois discos obtendo boas vendagens e shows pelo mundo todo, a banda começava agora a preparar o próximo passo: um novo álbum de estúdio no ano de 1984. Para produzir seria convidado um famoso produtor e que havia feito grandes discos com David Bowie e Talking Heads, além de ter sido membro do Roxy Music: Brian Eno.


    Para ler as letras traduzidas do disco War clique aqui (http://whiplash.net/traducoeslist.mv?registro=229)
    avatar
    Santiago@
    Administrador
    Administrador

    Mensagens : 1623
    Mões : 11890
    Agradecimentos : 11
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 22
    Localização : Passos
    Toca : Baixo.
    Música preferida : Qualquer uma do Metallica..
    Banda preferida : Metallica, Dragonforce
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Santiago@ em Sab Mar 28, 2009 8:09 pm

    Ótimo!!!!!!!!!!
    Parabéns!!!!!!
    Shocked
    avatar
    Mad Fer It
    Admin Fundador
    Admin Fundador

    Mensagens : 537
    Mões : 8057
    Mões No Banco : 1500000000545646541200231654441341
    Agradecimentos : 0
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 50
    Localização : Manchesta
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Mad Fer It
    Banda preferida : Cheers
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Mad Fer It em Sab Mar 28, 2009 8:27 pm

    Parabens muito bom.
    Mas tente dar uma rezumida,ou pegue do wikipedia q eh mais rezumido,ok?


    _________________
    CHUPA MINHA PICA, ESSE FÓRUM É VELHO PRA CARALHO!!!

    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Sab Mar 28, 2009 8:36 pm

    A graça são os detalhes...kkkkkk.
    Como vc mesmo disse, no wikipédia tem resumido. blz?
    avatar
    Santiago@
    Administrador
    Administrador

    Mensagens : 1623
    Mões : 11890
    Agradecimentos : 11
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 22
    Localização : Passos
    Toca : Baixo.
    Música preferida : Qualquer uma do Metallica..
    Banda preferida : Metallica, Dragonforce
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Santiago@ em Seg Abr 06, 2009 10:33 pm

    A graça são os detalhes...kkkkkk.
    Como vc mesmo disse, no wikipédia tem resumido. blz? [2]

    ;D


    _________________
    "Se você não tem luz própria, se liga em Deus"


    Existem 3 tipos de pessoas no mundo...
    As que sabem contar e as que não sabem...
    ;D
    avatar
    paco_rock

    Mensagens : 2
    Mões : 6227
    Agradecimentos : 0
    Data de inscrição : 13/05/2009
    Toca : Guitarra.
    Música preferida : I Will Follow
    Banda preferida : U2

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por paco_rock em Qua Maio 13, 2009 12:37 am

    Essas historias são loucas, imagina o bono perder as letras da musica, cois d' loko
    avatar
    Evan

    Mensagens : 77
    Mões : 6587
    Agradecimentos : 2
    Data de inscrição : 28/03/2009
    Idade : 37
    Localização : Lá onde o Si encontra o Sol
    Toca : Tudo.
    Música preferida : Sunday bloody sunday
    Banda preferida : U2
    Warning de respeito às regras :

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Evan em Qui Maio 14, 2009 5:30 pm

    É mó loko msm. Mais eu fiquei com uma dúvida, será que ele já achou essas letras?kkkkkk' Vai ver dá até um cd novo...kkkkk' =)

    Conteúdo patrocinado

    Re: U2 - 1981 e 1982 (Histórias)

    Mensagem por Conteúdo patrocinado


      Data/hora atual: Sex Nov 17, 2017 6:15 pm